terça-feira, 9 de junho de 2009

Visão Contacto - Aculturação

Todos os contacteantes têm de escrever um artigo para a revista Visão Contacto, a mim calhou o tema aculturação. Fiquem com o texto,

Filho adoptivo da mãe Russia.
Desde que me lembro de olhar o mapa do mundo, a Rússia, além de o dominar, sempre me transmitiu um silêncio profundo e uma certa sensação de medo. Na minha cabeça, a imagem de uma Rússia formada através dos média, um monstro de guerras, crispações politicas, uma democracia pouco livre, a máfia, mendigos na rua, milionários a jogarem dinheiro fora, ou o retrato dos filmes do James Bond com agentes maléficos do KGB, bandidos impiedosos, mulheres vorazes, guarda-costas durões, cientistas chanfrados…
A minha inquietação começou ainda em Portugal, à minha espera um cenário destes e um alfabeto muito diferente do que havia aprendido em cadernos de duas linhas. Fácil, foi só mesmo perspectivar o quão penosa iria ser a minha adaptação, tão penosa como o longo, demasiado longo e castigador inverno russo.
Ainda antes de partir, lembro-me de ter publicado no facebook, “Rússia, I am hot enough to melt your snow!”. Ao aterrar na imponente Moscovo, cedo me apercebi que este «chegar, ver e vencer» romano não era adequado a um país de cultura tão abastada, personalidade tão vincada e a uma história de perder a memória. Humildemente arrefeci o temperamento, enfiei a carapuça e aprendi a caminhar nas manhas do solo gelado.
Esta foi a minha forma de sobreviver na Rússia, adaptando-me, aceitando as diferenças, tentando percebê-los, mas nunca afogando a minha personalidade. Afinal, o meu temperamento nunca baixou dos 0ºC, a carapuça era apenas um gorro para me aquecer e a caminhada tinha ginga de portuga. Também era assim que eles me aceitavam, na diferença e no respeito, sendo que a nossa relação foi muito além do mútuo respeito, houve empatia, amizade, afeição, e nisso teve muita culpa a curiosidade russa.
Em Novomoskovsk onde eu morava, a 300kms de Moscovo, numa Rússia pobre e profunda, os portugueses eram o tema de conversa da aldeia, um estrangeiro era coisa rara naquelas bandas, eu sentia-me observado mas sem hostilidade, para eles eu era uma boa fonte de informação sobre o exterior, abordavam-me e aproveitavam para fazer perguntas, muitas perguntas de Portugal e na conversa, entre gargalhadas e barreiras da língua, interessava-lhes também a minha opinião sobre a Rússia. A minha resposta era ponderada e ao encontro do que eles queriam ouvir, pois não há coisa pior, para este povo nacionalista, do que maltratar a própria pátria. O povo russo é muito emocional, de sentimentos extremados, e deles eu preferia o amor ao ódio.
Sentia que a evolução da minha integração esbarrava na comunicação, o inglês era capricho das gentes endinheiradas de Moscovo e de um ou outro iluminado. Foi então que me empenhei em aprender a língua de Tolstoi. Estudava à noite em casa e, no autocarro, à ida para a fábrica massacrava o paciente Alexander – o meu mestre russo improvisado que arranhava um inglês tosco. Ele não se importava com as aulas grátis, aliás, tinha aquele feitio russo sempre pronto a ajudar. À medida que o meu russo evoluía as coisas ficavam mais fáceis e as relações aprofundavam-se. Quando comecei a trocar um “Hi!” por um “Priviet!”, eles apreciaram a dedicação, e quando comecei a construir frases e até pequenas conversas, era como se me abrissem os braços da adopção. No ginásio, aqueles que, ao princípio, me pareciam bestas de coração de aço, quando comecei a soltar vocábulos em russo, desfaziam-se em simpatia, e essa é uma característica bem russa, por detrás de uma expressão rígida e fria está um carácter humano e caloroso.
Aos poucos, os meus fantasmas dissipavam-se e eram substituídos por experiências gratificantes. Só mesmo a pasmaceira própria de uma vila (que parece aldeia) e o clima se armavam em desmancha-prazeres e testavam a minha resistência. O antídoto contra a pasmaceira era os fins-de-semana, quase sempre, passados em Moscovo, autênticas lufadas do progresso europeu.
Agora estou na República Checa e daqui a uma semana vou para a Holanda, aos poucos sinto-me a ir para casa, porém, com mais bagagem para compreender as pessoas e o mundo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Portugal

Isto de estar longe obriga-me inconscientemente a estabelecer constantemente comparações com Portugal: Em Portugal não é assim, em Portugal é isto, em Portugal não há isto, lá temos isto que cá não há, os Portugueses são mais coiso...
E isto de estar longe e viver numa realidade diferente proporciona-nos uma outra visão sobre o nosso país, que não teriamos de maneira tão clara se estivessemos envolvidos no quotidiano portugês, é como subir ao 2º andar e ver lá de cima as coisas a passarem-se.
Um destes dias, dei por mim a reflectir sobre um monte de coisas que poderiam ser melhoradas em Portugal, e anotei-as por pontos que vou transcrever:
-Devia explorar exponecialmente mais o turismo, projectá-lo mais e mais. Só a Madeira e o Algarve têm notoriedade lá fora. E quando passeio por cidades europeias turisticamente sobre-exploradas e as comparo com Portugal, por vezes apetece-me puxar pela camisola a esses turistas e sugerir "devias ir a Ptgal, Lisboa, Porto, Sintra, Costa Vicentina, Algarve, Açores, etc... ias dar o teu tempo por bem entregue, não tem a beleza clássica da europa central, mas tem o clima, as praias, as paisagens, a comida, o estilo de vida, o bairrismo, a simpatia. Vai lá e depois diz."
-Queixamo-nos por tudo e por nada. Não temos tudo, mas temos tanta coisa, deviamos deixar o provincionalismo de país pequenos e apreciar.
-Organização. é coisa que não sabemos sequer o que é, quanto mais aplica-la. tem piada o jeitinho latino, o desenrascanso, mas em cima duma estrutura organizada e não como base.
-Esperamos que o estado resolva tudo e nao participamos, não há responsabilidade civil.
-Transportes publicos. Venham eles!
-No trabalho, o que importa é a quantidade de horas que está no escritório, "Trabalha muito, ficou até às 21h". Nao importa qtas pausas para cigarro e café fez. Na Europa Central e do Norte é sinonimo de incompetencia.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Bolo de mel

Para mim, este é o exlibris gastronómico checo, um delicioso bolo de mel e nozes de nome Marlenka.
Tudo o mais é o que já se conhece por estas bandas da Europa Central, porco e molhos de banha, blhéc!
Ups! A receita é americana.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Holaaaanda, ao que parece.

Ao que parece, mais uma manobra ao estilo Logoplaste colocou-me na rota da Holanda. Cancelou-se Kiev na Ucrania, cancelou-se uma possivel ida para Roma, cancelou-se o prolongamento do estagio na R.Checa e dia 15 de Junho vou para a Holanda, até final do estagio. Vou... ao que parece, nao me canso de dizer, porque até lá há vida e há pensantes com o poder de jogar o meu destino em qualquer outro lugar, desde que seja territorio Logoplastiano e nao requeira visto de trabalho, basta alguem se lembrar (quase). Mas estou contente.
Elst, é para onde vou, fica a cerca de 100kms de Amsterdao e de Roterdao, e pouco mais sei.
Elst
Vou para a fabrica da Heinz, trabalhar no meio de ketchup que eu quase que vomito de passar por ele numa estante de supermercado, Sao esquisitices de fundamentalista da alimentacao, é a minha religiao.
Vou poder passear-me em Amsterdao, Roterdao, ver os campos de tulipas se ainda for tempo delas, e se o AICEP me permitisse ainda ia a Bruxelas ou Dusseldorf, a uns miseros 200kms em comboio de alta velocidade, Mas eles nao permitem, entao, quando chegar a altura, conto a historia de um amigo meu que la foi.

Esse meu amigo enquanto eu estive aqui em Olomouc aproveitou os fins-de-semana como pode, tirando partido da muito conveniente localizacao da R. Checa e foi a Viena, Krakovia e Paris, ao que parece, divertiu-se imenso.
Este fds tenho Ju Maria comigo e vamos namoirar a Cesky Krumlov, uma especie de Salzburgo checo, uma vila de castelos e palacios. tres romantique. A Cesky eu posso ir porque fica dentro das fronteiras checas, Como se isso ainda existisse. Schengen, aicep, Schengen!!!

Cesky Krumlov

quarta-feira, 13 de maio de 2009

@rroba

O tema não é profundo e, talvez, nem mereça debruço. Mas também porque não? É grátis e não polui.

@
Porque é que cada país tem a sua conjugacao de teclas para se obter o @rroba?
É irritante chegarmos a um país, sentarmo-nos diante de um PC e quando vamos aceder ao nosso mail, pimbas, onde está o arroba? Tentamos mil e uma maneiras até que desesperamos e perguntamos a um local sabedor desse segredo nacional que é o arroba.
Eu sei que nao é um drama, mas carambas, na UE temos uma moeda única, o mesmo alfabeto, um mercado único, políticas agrícola, de pescas, comercial e de transportes comuns... mas o simbolo arroba nao, tem que ter nacao, é como o folclore, a pizza, a siesta, a salsicha, o samba.

Já aconselhava o Bruno Aleixo: Cautela, nao emprestes o teu computador a nenhum estudante Erasmu, nao vá ele mudar a configuracao do teclado e depois nao consegues escrever o arroba.

Nhec!

muito se cospe para o chao neste país.
Manuel, Joaquim, estais perdoados.

Maluquinhos

Transeuntes num domingo à tarde

Moços da Coreia "Free Hugs"